O texto a seguir contém spoiler, mas não se
preocupe! Você não entenderá nada de qualquer maneira.
Se ao esquematizar o enredo, o objetivo da
Bioware era popularizar o jogo, custe o que custar, eles foram muito felizes
nisto. Em Mass Effect II já é perceptível o uso intencional da Tragédia.
Durante o jogo os laços entre o jogador e personagens são fortalecidos, cada
vez mais. No final, de súbito, eles são rompidos, inevitavelmente e contra a
vontade. Em Mass Effect III é ainda mais frequente o uso da Tragédia, e agora
com uma trilha sonora épica e extremamente marcante. No final, não há vitória,
só há derrota e perguntas sem respostas. Como esperado, isto gerou revolta,
protestos e tristeza. Todos se viam desesperados encontrando motivos para
denegrir o encerramento do jogo - mesmo que tais motivos não fizessem o menor
sentido -, convertendo a tristeza em raiva e canalisando para algum lugar,
qualquer lugar. Não haverá a supremacia do herói intergalático desta vez.
A vida é repleta de tragédias, de modo que
ficamos irritados ao encontrá-la até mesmo nos refugios.
Do ponto de vista da psicologia, da física,
antropologia e biologia, a trilogia é genial. De um ponto de vista emocional,
ela é perigosa. De um ponto de vista histórico, ela reflete um dos temores de
nossa época: o medo do que tão acelerada evolução tecnológica poderá trazer. Os
Reapers nada mais são que os responsáveis pela “purificação”, pois com a
tecnologia vem o Caos. Illusive Man o sabia muito bem, e sabia que a única
saída era o controle. Illusive Man foi o último suspiro de esperança: com ele
morre a civilização pelas mãos daquele que nada compreende. Se fosse Shepard um
problema, o teriam controlado de antemão, como foram obrigados a fazê-lo com
Illusive Man. Bem, Shepard é o herói, o herói dos Reapers, o inimigo da
civilização. Mais trágico que a morte dos amigos é o fato dele não ter se dado
conta. Em suma, a tragetória da aventura consiste em suceder com os objetivos
prévios dos Reapers.

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